19/06/2017 - 14:20

Isolado, pescador aguarda 4 horas por resgate cinematográfico após acidente

Rafael Ribeiro e Marcus Moura
Campo Grande News
Um acidente sofrido por um motorista de 38 anos motivou um resgate com ares cinematográficos dos Bombeiros na noite deste domingo (18), na Gameleira (zona rural da região sul de Campo Grande). Quatro horas de atendimento, travessia de lagos e mata fechada fazem parte do enredo para socorrer o homem, que pescava com amigos em uma represa isolada do Rio Anhanduí e acabou com uma torção no joelho esquerdo.

Segundo os Bombeiros, José Aldair dos Santos e mais dois amigos cumpriram um ritual, um hábito que tinham nos finais de semana para aliviar a semana dura: a pescaria. Chegaram no local pouco após o almoço, mas diferente de outras vezes, a atividade não terminou como esperavam.

Por volta das 19h30, Santos sofreu uma queda. Veio a forte dor no joelho afetado e a necessidade de socorro. Só tinha um problema: a ausência de sinal de celular na área. Sem alternativas, um dos amigos pegou o carro e dirigiu por cerca de uma hora até o Batalhão dos Bombeiros no Jardim Tijuca (zona sul) pedir ajuda.

Começou a epopeia dos socorristas. Duas viaturas, seis bombeiros e ao chegarem no local, as dificuldades só aumentaram. Com acesso difícil, foi necessário atravessar um lago e cortar caminho dentre a mata fechada, sem iluminação natural e caminho definido.

“A demora talvez tenha sido a maior das dificuldades, pois a noite chegou, a escuridão piorou e fiquei com medo de ter de passar a madrugada lá, com dor”, disse o motorista nesta manhã, aguardando pelo resultado de seus exames no pronto-socorro da Santa Casa, para onde foi levado, ainda carregando nas roupas rasgadas e sujas de barros o que viveu.

Santos não contava com o improvável. Diz que ele e os amigos já freqüentam o local há 20 anos. Sabem um caminho fixo, “que não sabem explicar aos outros.” O medo do motorista é justificável. É solteiro, mora sozinho na Capital desde que se mudou de Aquidauana (a 135 km de Campo Grande) e já passou por um acidente de moto onde quebrou uma das pernas em 2014.

Além da dor e apreensão, diz que guardará da experiência o esforço dos Bombeiros. Só de maca foi uma hora sendo carregado para ser socorrido até a ambulância, que não podia acessar o local onde se encontrava. Agradece a ajuda. E faz promessas para o futuro. “Nunca mais quero saber de pescaria. É bom dar um tempo”, brincou, enquanto espera pela definição se vai ter de passar por cirurgia ou não.
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