14/06/2018 - 04:47

Família russa que mora em MS diz estar com o 'coração dividido' para a acompanhar a Copa do Mundo

Por Ricardo Freitas
G1/MS
Em novembro de 2010, um sonho russo se tornou realidade, pela primeira vez na história, o país foi escolhido para sediar uma Copa do Mundo. A felicidade foi compartilhada pelos milhares de russos, inclusive, com os que vivem fora, é o caso de Masha Manich, que há 10 anos mora no Brasil.

Masha, trocou de país “empurrada pelo amor”. Em 2005, ela saiu da cidade natal, Khabarovsk, no extremo oeste da Rússia, a mais de 8 mil km da capital Moscou, e seguiu para o Japão para aprender japonês. Foi quando conheceu um brasileiro, que se tornou namorado dela. Em 2008, o casal veio a Campo Grande, Masha tinha intenção de ficar apenas 3 meses no Brasil, porém, a estadia foi bem maior do que ela poderia imaginar. Mesmo se separando do namorado Masha resolveu ficar.

“Foi uma dúvida muito cruel, a decisão mais difícil que tomei na minha vida, mas eu resolvi ficar! O Brasil é um país maravilhoso, de pessoas fantásticas”, diz Masha.
Masha nunca mais voltou para a Rússia, já são 10 anos morando interruptamente no Brasil. Ela conta que aprendeu o português rápidamente, e que não acha a nossa língua tão complicada como dizem.

Masha virou Maria
A russa que atualmente trabalha como maquiadora e vendedora diz que tinha dificuldades quando se apresentava como Masha. As pessoas não entendiam, e ela perdia muito tempo com explicações, diante disso, Masha teve a ideia de usar o nome Maria, que signifca Masha em Russo.

“ Isso facilitou bastante as coisas, hoje eu aceito numa boa as duas coisas, pode me chamar de Masha ou Maria, mas para os menos conhecidos eu prefiro me apresentar como Maria”, explica a russa.

A família aumentou

Em 2016, Maria resolveu trazer a irmã e o sobrinho para morarem junto com ela. Svetvana Franhuk veio com o filho Leonid, que atualmente tem 8 anos. O garoto está na segunda série do ensino fundamental e acompanha as aulas sem grandes problemas. Ele inclusive, ajuda a mãe com o português, principalmente quando saem.

“Ele é o meu tradutor oficial, quando a gente vai ao shopping ele sempre está ao meu lado, aí não tem erro para fazer compras e tirar dúvidas” diz Svetvana.

Lembranças de casa

As irmãs russas guardam um pedacinho do país na varanda da casa. Em prateiras de madeira elas tem a bandeira da Rússia, um quadro com o símbolo da região onde viviam e matrioskas., bonecas de tamanhos variados que são colocadas uma dentro das outras. De acordo com a cultura russa, as matrioskas simbolizam a ideia e maternidade, fertilidade, amor e amizade. Os objetos ajudam as irmãs a recordarem do frio extremo de Khabarovsk, que no inverno pode chegar a - 20º C , e também da comida típica, que conta com muito peixe no cardápio.




A torcida
As família russa diz que vai estar em frente da televisão nesta quinta-feira (14), para acompanhar a abertura da Copa do Mundo, e ver a estreia da seleção. A Rússia enfrenta a Arábia Saudita, pelo grupo A, às 12h (de Brasília), no Estádio Lujniki, em Moscou.

Masha e Svetlana dizem que estão com os corações dividos para acompanharem o mundial. Elas contam que vão torcedor para o Brasil e também para a Rússia. Mas ao serem questionadas como ficaria a torcida caso as duas seleções se encontrem, responderam com humor que irão torcer para o país da bandeira branca, azul e vermelha.

“ Se acontecer dos dois países se enfrentarem, não vamos negar, vamos torcer para Rússia. Vocês brasileiros já têm 5 mundiais, deixa um para a gente, vocês não vão sentir falta”
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